Sofri o primeiro (e
principal como eu lhe chamo) AVC Hemorrágico no dia 14 de Maio de 2009. Seis
meses depois, em Dezembro de 2009 tive uma recidiva. E no dia 14 de Maio de
2010, exactamente um ano após ter sofrido o 1º AVC, tive outra recaída.
Coincidência? É possível, embora eu não acredite em coincidências.
Na véspera do AVCH senti dores de
cabeça muito fortes, mas achei que era apenas cansaço e continuei a trabalhar.
No dia seguinte, logo pela manhã,
senti repentinamente uma
náusea, uma vertigem súbita, uma má disposição vinda do nada, que se foi
acentuando.
Quando acordei, passado uns dias, estava numa
cama do Hospital. Estava entubada. Tinha a mão esquerda atada à cama para não
arrancar os tubos e não sentia nem mexia a parte direita do meu corpo.
Não conseguia falar. Não conseguia comer. Tinha
o lado direito do rosto descaído. Tinham-me
colocado uma fralda. Estava muito confusa.
Tinha sofrido um AVC Hemorrágico. Assim, de
um momento para o outro.
Tinha 46 anos.
Era considerada uma pessoa saudável:
colesterol ok, tensão arterial ok, diabetes não tinha, não fumadora, peso
normal. Então porquê? Porque o AVC é mesmo assim: não avisa, é silencioso,
invisível e pode acontecer a qualquer um, em qualquer idade.
Soube mais tarde que tinha tido um AVC
venoso, mais concretamente uma trombose venosa cerebral, devido a uma malformação genética que alterou a minha
coagulação sanguínea e fez com que uma veia rebentasse no interior do meu
cérebro, espalhando sangue e matando uma
boa parte de células. Já nasci com este problema genético. Como me disse mais
tarde um médico: tive um azar do caraças! Um AVC! E agora?
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| imagem 1, resiliência |

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