segunda-feira, 5 de outubro de 2015

MERGULHEM NO MUNDO DA HIDROTERAPIA!



Uma das prácticas que me tem acompanhado ao longo da minha reabilitação, tem sido a hidroterapia.

Tenho-a feito de forma regular e  simultaneamente com a fisioterapia, pois é um bom complemento, trazendo-me benefícios a nível físico e psicológico.

Para quem nunca experimentou, recomendo vivamente, pois posso dizer-vos que sinto sempre uma agradável sensação de bem-estar e de liberdade.

Faço hidroterapia em grupo, o que acaba por ser mais estimulante, chegando por vezes a esquecer-me, por momentos, que tenho hemiparesia!

O facto da água estar entre os 32◦ e 35◦, faz-me sentir muito confortável, ao mesmo tempo que diminui a espasticidade, permitindo um alongamento maior da musculatura permitindo-me  trabalhar muitas posições.

E na piscina consigo relaxar, alongar os membros superiores e inferiores,  andar mais rápido e com mais segurança, e ter um maior controle e coordenação nos movimentos.
Alguns exercícios feitos na água permitem-me ganhar mais força muscular e equilíbrio.

Além de todos estes benefícios, a hidroterapia diverte-me.
É como se estivesse a fazer fisioterapia, mas de forma mais descontraída e variada.
Adoro sentir a água a passar-me entre os dedos, as mãos a fazerem curvas e contra-curvas, a desenharem círculos na água, os pés a   baterem com força para tentar molhar as colegas.

Como eu disse, a hidroterapia não substitui a fisioterapia, mas complementam-se.

Saio da aula revigorada e cansada também.
Mas feliz!

Convido-os agora a mergulharem nestes 2 vídeos sobre hidroterapia.

Um retrata uma aula de hidro, mostrando alguns dos exercícios que se podem fazer.
O outro mostra as várias formas de se conseguir entrar na piscina, conforme a mobilidade de cada um.

Desfrutem!






sexta-feira, 2 de outubro de 2015

E VIVA A NEUROPLASTICIDADE!


Quando tive o meu  AVC, o meu neurologista falou-me sobre uma característica do nosso cérebro  que seria fundamental na minha recuperação: a  neuroplasticidade. E explicou-me também a importância de começar a fazer fisioterapia o mais cedo possível e de forma intensa e continuada. E porquê?
As células do cérebro são as únicas que não se regeneram. Isso quer dizer que, quando se tem um AVC, certas células do nosso cérebro morrem , e deixam de executar actividades que até então faziam, a nível de coordenação motora, de equilíbrio, de sensibilidade, da fala, etc.
O Sistema Nervoso Central é altamente “plástico”, e essa característica permanece durante toda a vida, em condições normais ou patológicas.
E é graças  à neuroplasticidade que o nosso cérebro pode reaprender, moldar-se e adaptar-se às lesões que sofremos. É como se o nosso cérebro fizesse um novo mapa de conexões das nossas células nervosas, abrindo novas vias, permitindo-nos aprender continuamente.
Através da fisioterapia, com a repetição e visualização de movimentos, as células do cérebro que não foram afectadas, podem começar a fazer, além das suas tarefas,  também o “trabalho” das células que foram lesionadas, isto é , assumem a função perdida na área danificada.
É como se fizessem um duplo trabalho. Acontece uma reorganização  e abrem-se novos caminhos, em resposta ao treino de tarefas motoras especifícas .
Mas para isso acontecer, para se reaprender um movimento, um acto a nível motor, é necessário treinar inúmeras vezes e de diversas maneiras uma acção para que esta se fixe.
É na repetição da actividade, do estímulo mental, da ginástica cerebral e de novas aprendizagens, que o cérebro humano se pode alterar e aprender. É através da fisioterapia que nós podemos readquirir capacidades e aprender novas formas de realizar determinadas tarefas e melhorar a nossa qualidade de vida.

Daí a minha regra nr. 2:

FISIOTERAPIA NÃO É ALTERNATIVA, É UM COMPROMISSO PARA O RESTO DA VIDA!



O vídeo de hoje fala sobre a  Neuroplasticidade e as múltiplas capacidades e oportunidades que o cérebro nos disponibiliza. Basta que nós as usemos.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

UM SONHO CONCRETIZADO

 


Uma das sequelas  motoras resultantes do meu AVCH foi a hemiparesia direita.

No meu caso o meu pé sempre foi um grande entrave para começar a andar: o meu pé ficou equino, completamente  pendente e torto.
Não era capaz de levantar o pé activamente e ele batia no solo ou os dedos arrastavam pelo chão.

Além disso, o meu pé ficou torto, aliás não assentava sequer no chão: por exemplo se o pusesse no chão ele ficava todo virado para dentro e com os dedos encolhidos.

Todos os exercícios de fisioterapia que deviam ser feitos descalça eram muito complicados de executar, pois sem nenhuma órtose, sem nenhum apoio, o pé virava-se todo.
Eram sessões de fisioterapia difíceis e dolorosas.

Para iniciar a marcha, comecei por usar um Foot-up que não me resolvia o problema do pé entortar e corria o risco de  fazer entorses.

Comecei então a usar uma tala rígida desde o pé até ao meio da perna.
Esta tala ou órtose, permitia-me uma marcha mais correcta, pois o pé ficava ali “encaixado” numa  posição direita.

Andei com esta tala durante 3 anos.
De noite, se acordasse e quisesse sair da cama tinha que colocar a tala dentro do  ténis.
No verão, se quisesse ir à praia só o conseguia fazer calçada com ténis e com  a famosa tala colocada. Ir até à beira-mar era muito complicado.

Durante 3 anos aquela tala fez parte de mim.
Lembro-me do alívio quando ao fim do dia a tirava e me sentava enfim descalça.  Com o pé torto, mas descalça….
Mas, para mim, usar a tala era a única forma de andar, fosse em casa ou na rua.

Com a fisioterapia passei por várias fases evolutivas: da cama fui para a cadeira de rodas, depois comecei a andar com o tripé, mais tarde andei de muletas, depois sugeriram-me andar com um bastão (para andar mais direita)  e também andei com uma bengala.  Sempre com a tala claro!

  
Nesse período pensava muitas vezes: será que vou conseguir andar descalça alguma vez? Sentir o chão  de novo, a areia fina e quente, um tapete macio debaixo dos pés? Às vezes tinha medo de me esquecer de  como eram essas sensações.

E possivelmente ainda hoje andaria com a tala, não fosse ter conhecido por mera coincidência, (e logo eu que não acredito em coincidências) um médico neurocirurgião, especialista em cirurgias em lesões neurológicas no pé e mão, em AVCs e outras situações.
Após  me ter feito uma avaliação detalhada da minha marcha , do meu pé e perna, explicou-me alguns detalhes da cirurgia e do pós-operatório.
E perguntou-me se eu queria marcar a operação para o pé.


Olhei-o de frente e perguntei o que ele me poderia garantir, quais os ganhos que eu teria.
Muito directo, respondeu-me que, embora ficasse a coxear, o pé ficaria direito e eu deixaria de usar tala, ou qualquer tipo de órtose.
Foi o que me bastou ouvir para responder sim.

Em  2012 fiz a operação. As fotos são do meu pé e perna 2 dias após a cirurgia.

Tive uma recuperação bastante dolorosa. Durante 2 meses voltei a andar de cadeira de rodas (pois o pé tinha que estar posicionado dentro de gesso) e não podia fazer qualquer tipo de força sobre ele. Ganhei uma escara e passei esses 2 meses praticamente deitada, pois tinha dores horríveis.
Ao final de 2 meses, recomecei de novo a fisioterapia.

Hoje ao fim de 2 anos, as cicatrizes mal se notam.
Nunca mais voltei a usar tala, nem nenhum apoio para o pé.

E concretizei um sonho: ando descalça, em casa, à beira-mar, onde me apetecer.
Ainda hoje, sempre que ando descalça sinto-me agradecida e feliz. É uma sensação de vitória e liberdade indescritíveis.

O que resultou para mim, não quer dizer que seja igual para  todos.
Mas achei que devia partilhar este episódio tão importante na minha história de recuperação, para  reforçar a ideia de que, quando menos se espera a oportunidade  bate-nos à porta. Temos é que estar atentos e disponíveis.
Nada é para sempre.


Por isso, encante-se com os seus pequenos ganhos. Recorde os momentos de vitória. E dê valor ao que já conseguiu!







quinta-feira, 24 de setembro de 2015

PRISIONEIROS SEM CULPA FORMADA





Por ser uma causa que me toca muito e que considero importantíssima, não podia deixar passar em branco a coragem, o empenho, a luta  que hoje, em Lisboa,  20 pessoas do movimento (d)Eficientes Indignados fizeram em nome de todos aqueles que, devido a terem adquirido uma deficiência, se encontram “prisioneiros”, num País que os esquece.

Estas 20 pessoas manifestaram-se hoje, em frente da Assembleia da República para chamar à atenção para a situação de "prisioneiros" em que vivem. Podem ver as fotos num post que publiquei hoje. Deixo o link da notícia em baixo.

O meu obrigado pela luta que travam em prol de todos nós.

A este propósito, relembro um excerto de uma crónica de José Luís Peixoto, publicada na Visão:

…” E os que têm mobilidade reduzida e que não podem sair de casa?Não há rampas, há carros estacionados em cima do passeios com buracos, não há dinheiro para comprar a cadeira de rodas adequada. São prisioneiros sem culpa formada, sem acusação, sem julgamento. Foram condenados a prisão domiciliária.
 Não há data marcada para o fim da sua pena.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=4794984

terça-feira, 22 de setembro de 2015

HÁ VIDA DEPOIS DO AVC




Depois de 2 meses e meio de internamento, regressar a casa e fazer fisioterapia em ambulatório deveria ser , em princípio, um alívio e um motivo de satisfação para mim.

Mas  o regresso a casa foi um choque.

Afinal o mundo fora do Hospital  tinha continuado como antes, como se nada tivesse acontecido. 
Mas eu tinha o meu mundo virado do avesso.

Nos primeiros tempos senti-me uma estranha.
Como se tivesse viajado para um lugar tão diferente e distante que agora que tinha regressado, já não  reconhecia o lugar donde partira. Este não era o meu mundo.

As pessoas eram as mesmas, mas eu não. Nem eu as via da mesma maneira, nem elas me encaravam da mesma forma.

Embora todos me recebessem com sorrisos, beijos e até flores para festejar o meu regresso, eu já não era a mesma Paula.
Até que ponto conseguiriam os outros perceber quão difícil  e violento era para mim estar tão diferente, tão dependente, tão cheia de medo?

Não me digam que sou forte, não me digam para ter paciência, não me digam para ter calma. Recuso-me a ouvir!
Queria gritar! Gritar que não queria viver assim o resto da minha vida, gritar que estava farta que me dissessem que tudo ia ficar bem.
Queria dizer bem alto que nada voltaria a ser como antes. Que nada jamais seria igual.

E foram assim as minhas primeiras semanas. Neste estado de revolta e ansiedade, de impotência e desalento.

Até que comecei a olhar para mim, ou melhor dizendo, a olhar para dentro de mim.
E percebi que estava a entrar num estado de auto-comiseração   que estava a tornar-me insuportável e que só causava mais dor a mim e aos meus próximos.

É bom quando conseguimos distanciarmo-nos o suficiente de nós próprios para nos analisarmos. Nessa altura não gostei do que vi de mim mesma .
Foi quando disse: BASTA!

E agarrei-me à minha reabilitação, como um náufrago se agarra a um pedaço do barco destruído. E RENASCI.

Hoje sou outra Paula, nem melhor nem pior, apenas diferente.
Diferente fisicamente, emocionalmente, psicologicamente e até socialmente.

Afinal, não somos todos nós um somatório das experiências que vamos acumulando ao longo da vida?
Como poderia pôr um  parênteses neste capítulo da minha vida? Ou fazer um intervalo? Tinha que refazer o guião da minha vida.

Durante 5 anos fiz sempre fisioterapia, TO, hidroterapia, com raros e breves intervalos.
Neste momento e passados 6 anos, já não me limito  a viver só para a reabilitação.
É na verdade parte integrante da minha vida,  tornou-se um hábito tão natural como beber água. Tal como um atleta, tenho que treinar sempre, mas já o faço com um ritmo menos intenso.
E tiro sempre um tempo para o que me é agora também essencial:  ler, ouvir música, apanhar sol, brincar com os netos, atirar a bola ao cão, não perder o último episódio de uma das minhas séries preferidas (Game of Thrones!) , andar na praia, sei lá, fazer qualquer coisa que me faça feliz.
Todos os dias. Porque a vida é preciosa  e quero aproveitá-la. Quero ser feliz. Hoje.
Não quero que o AVC tome conta da minha vida. Eu sou mais que isso.

Mas é exactamente por saber o quanto o AVC nos pode esmagar, que faço questão de continuar a alertar, a divulgar e a falar de reabilitação.

Nunca vou desistir de mim. Sei que vou ser maior e melhor que os meus AVCs.

E vocês, os que estão a ler estas palavras: Sejam felizes e não se entreguem nunca.

(Desde 2010 que nunca mais estive internada devido a um AVC. Desde 2009 que tinha sofrido 3 AVCs, como já contei noutro post.)




Hoje deixo um vídeo que demonstra muitos dos exercícios que repeti vezes sem conta. E que ainda faço…

domingo, 20 de setembro de 2015

TORNAR-ME AUTÓNOMA!




Tornar-me independente e autónoma, foi desde sempre uma das minhas prioridades, após o AVC.

Com a ajuda da TO comecei a perceber que conseguiria realizar  algumas das tarefas do dia a dia, com objectos criados para o efeito e com algumas invenções/adaptações que irei partilhando.

O meu pensamento nestas ocasiões é sempre positivo Por exemplo: vou conseguir fazer a salada para o jantar, a um ritmo mais lento sim, mas o que conta é realizar a tarefa a que me propus.

Tive que encarar esta nova forma de fazer as coisas com uma grande dose de paciência e humor, festejando cada tarefa realizada como uma grande conquista. Perceber que pouco a pouco estava a recuperar a minha autonomia, dava-me uma enorme alegria e força para recomeçar no dia seguinte.

Os 2 vídeos que publiquei mostram uma tábua de alimentos, com a qual comecei a treinar nas sessões de TO , muito útil para quem utiliza apenas um dos  braços (o meu caso). 
Mais tarde acabei por comprar uma, que ainda hoje utilizo. 
Como podem ver nos vídeos esta tábua tem diversas funções e para mim, tem sido uma grande ajuda, embora agora o meu braço e mão direitas já ajudem um pouco também nas minhas tarefas.  

Um dos objectos que está sempre na minha cozinha é o  tapete anti-derrapante, onde coloco um prato  ou uma tigela,  pois assim não escorregam e é possível comer sem o prato nos fugir, mexer ovos para fazer uma omelete sem a tigela escorregar, etc. 
Tem muitas utilizações eu recomendo e não dispenso !

Outra das minhas aquisições foi a faca/garfo que é muito boa  a cortar carne.
Espero que estes vídeos vos dêem ideias!




sexta-feira, 18 de setembro de 2015

AS MINHAS 4 REGRAS


Ao longo desta minha caminhada tenho seguido algumas regras que o meu coração me ditou e que a minha condição física e psicológica me impuseram, mas que me têm ajudado a prosseguir.

Embora não goste muito de regras, estas 4 considero-as pilares que sustentam a minha vida.







quinta-feira, 17 de setembro de 2015

EXERCÍCIOS PARA A MÃO



Sensivelmente após alguns meses de mobilização passiva intensa  na TO, do meu braço e mão, comecei finalmente a ter alguns movimentos. Quase imperceptíveis de início, mas com a continuação da terapia, fui gradualmente ganhando movimento e amplitude.~

Este é um vídeo de alguns exercícios que se podem fazer até em casa, para quem já tem alguns movimentos.


Deve-se ter sempre atenção à postura: manter-se sentado direito (o ideal é fazer frente a um espelho) e ter o cuidado da mão sã estar apoiada na cama. 

Ainda hoje faço alguns destes exercícios.